As nuvens pareciam tão baixas que ela pensou em tentar alcançá-las,“Talvez se esticar a mão bem alto” ela pensou enquanto se colocava nas pontas dos pés, “Será que são como algodão, ou talvez apenas vapor?”
Sabia que a chuva se aproximava e abriu a boca, estendeu a língua e esperou pela primeira gota, como um elixir sagrado. Talvez esperasse que a chuva lhe lavasse a alma, ou esperasse gosto doce do xarope que sua mãe lhe dava quando estava doente na infância, que a chuva lhe curasse da dor e dos problemas. Não ligava que parecia uma louca no parque, braços estendidos no ar, boca aberta, língua pra fora, “Talvez esteja esperando que alguém venha me buscar... Me amarre logo numa camisa de força e me leve pra um hospício!”
Queria apenas se perder por alguns minutos em sua própria mente, sentir a natureza, mesmo que num pedacinho de verde no meio da selva de concreto.
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